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As ações da Comunidade
As ações do processo de construção da escola começaram no ano de 1987. As comunidades das Vilas, na época eram 18 vilas próximas da atual sede, mobilizaram-se e pressionaram os órgãos políticos da cidade de Porto Alegre solicitando uma escola pois havia um grande número de crianças sem escola: mais de 100 excedentes na região. O levantamento de excedentes foi feito por ambas as Secretarias de Educação: Municipal e Estadual, com a participação ativa da comunidade em postos fixos das associações do bairro e das vilas.
Entre as formas de luta e organização, destaca-se a inauguração da "Escola da Vergonha". Segundo relatos de moradores e antigos professores da escola esta manifestação paralisou o trânsito na Rua Orfanotrófio. As lideranças das vilas realizaram as inscrições dos alunos excedentes; mesas e cadeiras foram colocadas em plena rua, no desejo de que todas as crianças da comunidade conquistassem o direito à escola. Além desta iniciativa o movimento comunitário mobilizou pais e crianças para comparecerem às audiências nas Secretarias da Educação do Estado e do Município. A maior preocupação era o atendimento às crianças que não tinham acesso à escola, na época.
O início dos trabalhos
* No dia 28 de julho de 1986 foi por decreto criada e autorizada a funcionar com implantação de séries a Escola Municipal de 1o Grau Vereador Martim Aranha - Centro Integrado de Educação Municipal CIEM, complementada a denominação pelo decreto municipal no. 8917, de 30 de abril de 1987, sob a jurisdição da 1a Delegacia de Educação, considerando válidas as atividades escolares desenvolvidas na referida escola, a partir de junho de 1987.
* No dia 6 de abril de 1987 foi designada a Prof. Heloísa Simões como diretora e mais 4 professoras: Margane Folchini, Beatriz Lima, Sandra Gomes Correia e Maria Lucia Lahm. Após a designação das professoras, o trabalho de inscrição de alunos iniciou, em uma pequena sala nos fundos da Igreja Santa Tereza, localizada no bairro. Algumas vezes, quando a sala estava ocupada, o trabalho era realizado no pátio ou no interior do carro das professoras. Como o prédio ainda não estava pronto, a procura por inscrições era pequena.
* Enquanto era feito o trabalho de inscrição de alunos, não havia um local para atender as crianças excedentes. Um lugar emergencial foi escolhido por um grupo de líderes comunitários e pelas professoras Heloísa Simões e Nely Schimt. O terreno apontado era de propriedade do IPERGS e ficava situado entre as ruas Dona Malvina e Dona Otília. Todo o trâmite de doação do IPERGS para o município foi feito através do DEMHAB.
* Em junho, foi construído um pavilhão de madeira constituído de duas salas de aula, banheiro, cozinha, refeitório e uma pequena sala para atender aos pais. O primeiro ano letivo iniciou em 22 de junho de 1987.
A Escolha do Local Definitivo - Plebiscito
A escolha do local definitivo já havia sido feita pelos líderes comunitários. O local apontado era um terreno baldio, um descampado com duas vertentes de água entre as ruas Cônego Paulo Isidoro de Nadal e Jacob Isaak. Essa escolha não agradava a todos. Os moradores dos arredores: Vila Arapeí, Vila Cristal, Cruzeiro, Vila Vinte e Sete, Vila Tronco, Vila Jardim Europa, etc. eram favoráveis à construção da escola, porém os moradores vizinhos da atual sede, que eram chamados "burgueses", por alguns, queriam uma praça " A Grande Oriente", como estava indicada no plano diretor da cidade, a escolha deste nome "Grande Oriente" deveu-se a um acerto com a Maçonaria a quem pertencera o terreno. Esta discordância entre os moradores resultou um plebiscito que teve 541 votos a favor da escola e 38 contra. Apesar do plebiscito, os moradores das proximidades da sede atual, munidos de assinaturas, conseguiram uma liminar que paralisou as obras que estavam em seus alicerces, por algum tempo.
A mudança para a nova sede
O tempo de permanência no Galpão ou Barracão foi de aproximadamente 6 meses. Neste período, houve o envolvimento da comunidade na guarda do Galpão para que não houvesse furtos, mesmo assim, telhas, paredes e materiais da escola foram furtados em 25 de fevereiro de 1988 o que provocou sindicância para apuração dos fatos.
A mudança do Galpão para a nova sede foi feita em fevereiro de 1988 pela então vice-diretora Virgínia Maria Ceccarelli. Já em sede definitiva, a escola foi inaugurada em 20 de março de 1988, como um dos eventos comemorativos do aniversário de Porto Alegre, pelo então prefeito Sr. Alceu Colares e a secretária de educação municipal da época Sr. Neuza Canabarro.
O NOME - Prefeito X Comunidade
A escolha do nome da escola "CIEM Martim Aranha" foi uma escolha do prefeito do PDT, Alceu Collares, em homenagem ao Vereador da antiga ARENA e seu opositor político. O prefeito então justificou sua homenagem dizendo que ambos eram irmãos de dor, pois haviam perdido um filho cada um. Contudo o desejo da comunidade era de que a escola fosse denominada Escola Municipal Rejane Vieira em homenagem à estudante de magistério que atendia em atividade extra-classe as crianças da Vila Arapeí, Rejane era uma moradora da comunidade e morreu atropelada em frente ao Colégio Maria Imaculada, onde concluía o magistério.
O funcionamento
Inicialmente o CIEM funcionava com turnos integrais, mas a dificuldade de suprir os recursos humanos foi um dos motivos que contribuíram para o insucesso da proposta, assim como a mudança político-partidária na prefeitura de Porto Alegre, com a mudança instala-se na rede a proposta construtivista, que sugeria que os alunos construíssem seu próprio saber, a partir da sua própria realidade. Com essa mudança a escola volta a se chamar Escola Municipal de 1o Grau Vereador Martim Aranha. Em 1995, após a Constituinte Escolar houve uma nova mudança na secretaria e surge nova proposta pela qual as escolas não funcionariam mais por séries e sim por ciclos, buscando a não evasão e um aprendizado que respeitasse o ciclo individual. O grupo de professores da Escola Martim Aranha resistiu a esta nova concepção de escola, desejando a manutenção da escola seriada até o final de 1999 e só se tornou escola ciclada a partir do ano 2000.
Hoje
Atualmente a escola se chama ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL VEREADOR MARTIM ARANHA. O número de alunos aumentou significativamente e também o espaço físico da escola. É uma escola considerada de grande porte, atende mais de 1200 alunos e possui 78 professores.
Diretoras
A escola desde sua criação, até os dias atuais, já teve oito diretoras: Prof. Heloísa Simões, Prof. Beatriz B. Vilar, Prof. Denise Dutra, Prof. Cecília Mônaco da Silva, Professora Sheila Torma, Prof. Carmem Santos, Professora Angélica e Professora Mara.